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  • Foto do escritorJefferson W. Santos | Ad Astra

O "empreendedorista"

Atualizado: 18 de jan.


Uma reflexão para um novo olhar sobre o empreendedor.





Proponho um novo olhar sobre o empreendedor. Um neologismo com um sufixo “ista” para personificar de forma mais abrangente os desafios, densidade e peso do perfil de qualquer pessoa, em uma organização ou não, que queira fazer uma coisa bem feita, uma realização eficaz, eficiente e competitiva.

Entendo que o ato de querer fazer algo bem feito (empreender) possa ser resumido em três dimensões simples, porém essenciais: realizar, risco e resiliência.

Proponho, ainda, considerar que o ato ou a vontade de empreender não deva, necessariamente, estar atrelado à liderança, afinal muitas das “inovações” em métodos ou em maneiras de se fazer algo bem feito ocorrem com o indivíduo realizando algo ou solucionando uma complexidade de forma isolada. Três profissões com as quais tive breve contato exemplificam essa excelência de execução isolada: o soldador de estruturas submersas, o mantenedor de antenas de rádio difusão ou de telecomunicações e o mantenedor de “linhas quentes” em redes de alta voltagem: não há como se ter alguém próximo para “se liderar”.

Proponho, ainda, não se “engessar” o entendimento e a aceitação geral de que o empreendedor é, necessariamente, um inovador. Os clientes finalísticos que, eventualmente, irão se aproveitar do bem ou do serviço (produto) “inovador” tem um poder aquisitivo, em média no Brasil, pouco superior ao salário mínimo (dados do IBGE, PNAD, CNI, CNS, etc.). Ademais inovações em produtos (bens ou serviços) requerem comprometimentos e contratos com uma considerável cadeia de valor de produção de insumos cujas condições para entregas desses insumos são celebradas e firmadas nos exercícios de anos anteriores ao lançamento dos produtos já conhecidos do consumidor. Portanto, um “produto inovador” poderá impactar, sobremaneira, as atividades de produção daqueles insumos que serão a base para elaboração e entrega ao cliente finalístico.

Por outro ângulo, inovação em produtos (bens ou serviços) requerem escolhas. Das escolhas virão as trocas de um produto ao qual o cliente já está habituado e confia. Ele trocaria por um produto inovador que, por ser inovador, ele desconhece? Por outro lado, a existência do risco (realização, risco e resiliência) é considerada com base no poder aquisitivo, pois o produto anterior além de conhecido e de resultados previsíveis “cabe no bolso” do cliente.

O empreendedor, também, precisa ser um especialista no bem ou no serviço que pretende inovar, pois o conhecimento sobre o mercado, sobre os limites e capacidades da empresa, sobre os impactos que a inovação incidirá sobre os setores da empresa, os fornecedores e o meio-ambiente precisam, necessariamente, ser considerados.

O empreendedor precisa, ainda, ser um realista, pois ao propor uma inovação em um bem ou um serviço, ele precisará considerar a capacidade que todos os setores da empresa, fornecedores e eventuais terceirizados terão ao dar apoio na produção do bem ou do serviço.

Ao interagir com aqueles atores organizacionais (setores, fornecedores, etc.), o empreendedor precisará ser um articulista pois entenderá as competências, dificuldades e desafios que aqueles terão para aderir e contribuir positivamente na entrega do bem ou do serviço demandado pelo cliente.

Por fim, vivenciamos uma economia inexoravelmente mergulhada em elevada carga tributária que, por ser variável, incide sobre os custos básicos da elaboração do produto. Tal escorchante teia de encargos compromete, sobremaneira, o poder aquisitivo do eventual comprador da inovação. Assim, os RISCOS de insucesso são reais, objetivos e constantes. Dessa forma o empreendedor precisa ser resiliente.

Espero que você reflita sobe essa nova abordagem sobre o “empreendedorista”, avalie e planeje seus próximos empreendimentos.

Boa sorte e sucesso.


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