GROUND HANDLING & AEROPORTOS "Gestões" de Riscos
- Jefferson W. Santos | Ad Astra

- há 3 dias
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A Fronteira do Pátio: O Conflito Invisível entre TST, SGSO e o CRM Corporate no Apoio Aeroportuário
Se a sua empresa opera serviços auxiliares no ecossistema de aeroportos administrados pela AENA ou pela INFRAERO ou por empresas similares, você deve conhecer a possibilidade de tensão diária da pista. No turnaround de uma aeronave, o tempo é medido em minutos, o custo de um atraso é altíssimo e a margem de erro no pátio é zero.
No entanto, com base em minha experiência prévia como gestor do Programa de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (PPAA), percebo que o maior risco para a governança da sua base operacional dificilmente nasce de uma falha isolada de equipamento. Ele surge no choque de culturas e competências entre duas forças internas: o Técnico de Segurança do Trabalho (orientado pelas NRs do MTE) e o Gestor de Segurança Operacional (orientado pelo SGSO / RBAC da ANAC).
Quando a linguagem da SST e a linguagem do Safety não se conversam, a operação fica exposta no meio do fogo cruzado.
O Diagnóstico: O Conflito de Duas Bíblias no Pátio
No pátio de manobras e na rampa, a sobreposição regulatória podem gerar gargalos diários:
· O TST (Foco na Saúde Ocupacional / MTE): Atua sob a ótica da NR-01, NR-17 e NR-35. Ele enxerga o uso do abafador, o colete refletivo, a postura ergonômica no porão e a proteção contra quedas. Sua meta é evitar o acidente de trabalho e o passivo trabalhista.
· O Profissional do SGSO (Foco na Segurança Operacional / ANAC / AENA / INFRAERO): Atua sob os manuais IS/RBAC e diretrizes de Safety. Ele enxerga o risco de FOD (Foreign Object Debris), colisão de GSEs com a aeronave, invasão de área de sopro das turbinas e violações de regras do pátio fixadas pela Concessionária. Sua meta é evitar o incidente aeronáutico e a perda de slot e, na medida possível, sem comprometer a segurança operacional aviatória, não contribuir para “empecilhos” operativos e contribuir para a liberação da aeronave e do espaço por ela ocupado.
Por falta de um alinhamento prévio, ambos passam a emitir notificações conflitantes para a supervisão de rampa
Onde está o impasse?
Pode ocorrer de uma medida corretiva imposta pelo SGSO crie um gargalo ergonômico ou de tempo para a equipe do TST, e vice-versa. Por falta de um alinhamento prévio, ambos passam a emitir notificações conflitantes para a supervisão de rampa.
É viável ocorrer de o operador na pista, pressionado pelo relógio da decolagem e do spot ocupado, fique sem saber qual norma seguir — e recorre ao improviso.
A Doutrina Emergente: O que é o CRM Corporate?
Historicamente, o CRM (Crew Resource Management ou Gerenciamento de Recursos de Cabine/Equipes) nasceu na aviação para harmonizar a comunicação, a liderança e a tomada de decisão dentro da cabine de comando (cockpit).
Com a evolução da complexidade do setor, surgiu a demanda do CRM Corporate: a expansão dessa ferramenta metodológica para toda a cadeia de governança corporativa e de solo.
O CRM Corporate propõe que a segurança operacional e a segurança ocupacional não podem ser geridas em ilhas isoladas. Ele estabelece uma linguagem única de consciência situacional, comunicação assertiva e gestão de erro humano para diretores, gerentes de base, TSTs, inspetores de SGSO e equipes de pátio.
A Solução: A Governança Integrada de Processos e de Procedimentos como Elo de Ligação
Como harmonizar o TST, o SGSO e a Concessionária (AENA/FRAPORT/ZURICH etc.) sem travar a produtividade da rampa?
A resposta não é criar mais relatórios, mas estruturar os Processos, Procedimentos e Ações Operacionais (PPAO) na etapa que antecede a fiscalização ou a emissão de laudos.
Essa governança estratégica de processos atua como o elo pacificador e estruturador:
Unificação do Trabalho Real: Mapear os fluxos do turnaround sob a ótica da operação, integrando -quando tecnica e juridicamente viável- no mesmo procedimento as exigências da NR-01/GRO (MTE) e os requisitos da IS/RBAC (ANAC) e Regimentos Internos da AENA/INFRAERO.
Matriz Única de Interfaces: Eliminar a dualidade de ordens. A liderança de pátio recebe um PPAO padronizado onde a ação preventiva atende, simultaneamente, ao TST e ao SGSO.
Aplicação Prática do CRM Corporate: Capacitar as equipes para que o relato voluntário de desvios sirva tanto para alimentar a Alínea "b" do PGR (Item 1.5.7.3.2 da NR 01) quanto para as relatorias de prevenção do SGSO.
Quando a governança de PPAO desenha a operação de forma integrada, o TST e o profissional de SGSO deixam de disputar espaço e passam a atuar como parceiros estratégicos. O PGR e o Manual SGSO passam a falar a mesma língua, blindando a empresa de apoio aeroportuário contra autuações do MTE, sanções da Concessionária, perdas contratuais, glosas ou indeferimento de sinistros por parte de seguradoras.
Na sua base aeroportuária, a equipe de SST e a equipe de SGSO trabalham sob uma matriz de processos unificada (CRM Corporate), ou sua operação de pista precisa gerenciar dois regulamentos que se chocam diariamente?



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