O Nó Górdio do Inventário de Riscos _ Desatando o Nó da Alínea “A”
- Jefferson W. Santos | Ad Astra

- 15 de ago.
- 3 min de leitura

O artigo abaixo visa ajudar nos problemas de conformidade com a NR-01 por ocasião de auditorias e para a elaboração de um Programa de Gestão de Riscos crível e consistente.
Aprofundaremos os desafios da alínea “a” do item 1.5.7.3.2, que exige a caracterização precisa de processos e de ambientes. A ideia é capturar a “vida no chão de fábrica” no Genba.
O Abismo entre o "Trabalho Prescrito" e o "Trabalho Real"
Algumas empresas podem basear suas análises apenas em Procedimentos Operacionais Padrão (POPs). E haveria problema assim procedendo?
No dia a dia, trabalhadores fazem adaptações informais para atingir metas ou compensar falhas de máquinas. Nesses “desvios tolerados” residem os perigos não considerados nos POPs.
A primeira orientação é a de ir além do fluxograma teórico e identificar como o trabalho realmente acontece, sobretudo sob pressão de entregas e sob ambiência não favorável.
O Ambiente de Trabalho: Muito Além de Quatro Paredes
Caracterizar o ambiente de trabalho não é apenas listar um setor ou as atividades nele realizadas. É preciso avaliar e registrar o cenário real.
Usemos como exemplo um ambiente fabril (pode e deve ser adaptado para vários outros postos de trabalho ou tipos de empresas) para elencar alguns dos itens a serem considerados:
Geometria e Estrutura: O tipo de piso, o material das paredes e demais estruturas importam.
Conforto: A iluminação gera ofuscamento? A ventilação é suficiente? Há problemas acústicos, de vibrações ou de ruídos?
Vizinhança: O ruído da caldeiraria ou de qualquer outro tipo de equipamento fixo ou móvel ao lado ou nas cercanias invade o escritório ou o posto de trabalho?
Mobilidade: Aqui há dois tipos a serem considerados:
a) a circulação no ambiente de trabalho (distâncias entre mobiliário, painéis ou plataformas e
b) a mobilidade dos ambientes móveis externos para entregadores ou remotos (Home Office ou trabalho fixo (temporário ou não) fora da organização, pois também exigem governança e mapeamento.
Lembrando serem apenas sugestões de itens básicos a serem considerados. É importante que os demais envolvidos apresentem sugestões de outros aspectos que possam viabilizar a existência de riscos ocupacionais.
Quem deve elaborar o Inventário?
É a circunstância que mais evidencia ser inadequado -e até perigoso- atribuir essa responsabilidade apenas para o TST ou um outro funcionário (o “senso comum” indica o “RH”). Para uma caracterização assertiva, será necessário uma equipe multidisciplinar de 3 a 4 pessoas:
O Técnico (TST): Preserva o olhar normativo e de engenharia.
O líder setorial: Conhece melhor os processos, as atividades isoladas, a influência de falhas de interconexão setorial, etc.
A Manutenção (um profissional da “infraestrutura”: Conhece o que está "por trás das paredes" (fiação, infiltrações, ar-condicionado).
O Operador: O dono do "saber-fazer", que conhece as variações térmicas e onde o piso escorrega.
Onde moram os acidentes graves?
Muitas vezes focamos apenas na "operação normal", mas os riscos críticos geralmente se escondem em fases não repetitivas, como:
Setup e preparação de máquinas.
Limpeza e manutenção.
Paradas programadas e emergências. O uso de ferramentas como o SIPOC pode ajudar a dar visibilidade a essas variabilidades, conectando entradas e saídas de materiais ao layout real.
Reflexão para o seu próximo DDS:
"Sua caracterização contempla as fases críticas de limpeza e manutenção, ou você só olha para a operação quando tudo está funcionando perfeitamente?"
Lembre-se: O inventário só deve ser homologado após a validação expressa dos operadores e supervisores da área.



Comentários