O nó górdio do Inventário de Riscos
- Jefferson W. Santos | Ad Astra

- 21 de jul.
- 3 min de leitura

Entendo que o maior erro do Inventário de Riscos é se achar que o perigo mora no "Cargo".
Pelo contrário, o perigo mora na tarefa real, no improviso do dia a dia e nas falhas de processo que ninguém documenta.
E por que, desde 2020 quando o GRO foi instaurado, ainda exista essa dificuldade?
Infiro que a falta de esclarecimentos mais precisos acerca da consecução do Programa de Gestão de Riscos (PGR), mormente no que concirna ao Inventário de Riscos e à estruturação do Plano de Ação “alinhado” rigorosamente na hierarquia de controle, está fazendo com que muitas empresas ainda construam seus Inventários de Riscos (conforme a NR-01) trancadas em salas de reunião, olhando para títulos genéricos de cargos ou descrições frias do RH tentando “sobreviver” ao soterramento da narrativa dos riscos psicossociais como a “cereja do bolo” de toda a NR 01. O resultado? Um documento suscetível a não conformidades que não custou barato e que, muito provavelmente, irá revelar ao AFT muitos pontos de ruptura sistêmica e de processos, falta de interconexão setorial e a essencial participação da "ponta de linha" -requisito essencial- na realização e condução de todo o processo.
A solução que entendo ser pertinente é uma visão inovadora que tenho sobre todo este complexo cenário: a conexão de quatro pilares invisíveis: o Inventário de Funções, o Genba, a Gestão de Interfaces e o Inventário de Riscos.
Então, como desatar o nó górdio que se instaurou nos últimos anos com o advento da atualização da NR 01 quando instaurou a GRO/PGR?Desatar e impor uma sinergia, e esta sinergia precisa ser muito bem entendida:
1. O Inventário de Funções como o DNA do Risco
Coloquemos assim: o cargo é uma ficção jurídica; já a tarefa é a realidade. Por intermédio de outra visão inovadora que tenho, entendo que quando mapeamos uma função sob 5 fatores práticos — Conhecimento, Método, Recursos, Tempo e Execução —, começamos a prever o risco antes mesmo do perigo físico se manifestar. Se falta recurso ou o tempo é escasso, o trabalhador improvisa. E o improviso é o cartão de visitas do acidente.
2. O Genba: Onde a ficção encontra a realidade
O Regimento Interno diz o que deveria ser feito. O Inventário de Funções planeja o que será feito. Mas só o Genba (o chão de fábrica, o local real) mostra o que realmente acontece. O Genba, portanto, é o que garante que o Inventário de Funções não seja uma obra de ficção e que o Inventário de Riscos mapeie as atividades reais da empresa.
3. Gestão de Interfaces: Onde o risco se esconde
O perigo raramente está no centro de uma tarefa isolada. Ele se esconde nas "interfaces cinzentas" — na passagem de bastão entre turnos, na transição de tarefas e materiais entre setores ou no ruído que a máquina do Vizinho X gera no ambiente do Trabalhador Y.
Ajustar as interfaces elimina os pontos cegos que os inventários tradicionais não enxergam.
Integrar esses conceitos evidencia que Segurança do Trabalho, Recursos Humanos e Operações não são ilhas isoladas.
Quando o Inventário de Funções alimenta o Inventário de Riscos com dados reais do Genba, nós não apenas protegemos vidas: nós eliminamos gargalos de produtividade, reduzimos o estresse crônico das equipes e criamos uma base justa para a avaliação de desempenho. É a engenharia de segurança atuando como parceira estratégica do negócio.
Gostaria de ouvir quem está no campo lidando com isso diariamente: na sua realidade, o Inventário de Riscos da sua empresa reflete o que acontece no Genba ou ainda é um documento focado apenas em cargos genéricos? Como vocês gerenciam essas "zonas cinzentas" entre os setores? Sua empresa sabe elaborar um Inventário de Riscos alinhado ao Inventário de Funções previsto no Regimento Interno da empresa?
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