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  • Foto do escritorJefferson W. Santos | Ad Astra

O velho relojoeiro

Atualizado: 18 de mai.






Em um subúrbio londrino existia um relojoeiro já com idade avançada. Trabalhar, para ele, era a razão de sua vida. Ensinar seu profissão era um prazer constante.


Poucos, entretanto, tinham a paciência com a qual ele se dedicava aos relógios de todo o tipo. Seus aprendizes não tinham a mesma abnegação e logo desistiam. Ele já havia consertado muitos relógios ao longo de sua vida.


Certo dia, um rico senhor apareceu em sua modesta lojinha. Com desdém, quase sem disfarçar a repugnância por aquele estabelecimento tão diferente das ricas lojas que ele frequentava, abordou o humilde artesão. “ - Meu caro senhor! Aqui tenho um relógio muito raro. Ele está com um defeito que, até agora, nenhum especialista, nesta ilha ou fora dela, conseguiu descobrir. O que podes fazer? Quanto tempo levarás para consertá-lo?”


Sem disfarçar sua descrença naquela humilde pessoa, muito distante de sua casta, o empinado senhor, suavemente, pousou o relógio na mesa da oficina. Quase se retirando ele completou: “Outros especialistas levaram muito tempo com ele e nada consertaram! Espero que não tome muitos dias para descobrir! Ah! Cuidado! É uma peça muito rara!”


Sem nada dizer, o velho, calmamente, pegou sua lente monocular, buscou em uma caixa de ferramentas uma haste muito fina e longa, abriu a raridade e detidamente analisou seu interior. Com firmeza, introduziu uma finíssima ferramenta por trás das robustas e antigas engrenagens. Alcançou uma haste muito delicada, quase invisível. Recolocou-a no lugar e devolveu o relógio para o impávido aristocrata. “Pronto, aí o tens funcionando perfeitamente!”


Ainda sem acreditar no que via, o elegante senhor perdeu a rigidez e quase curvando-se em gratidão exclamou: “- Como pode? Tão rápido! Quanto custa?”


Sem titubear, o velho respondeu: “São duas mil libras, caro senhor!”


Sem acreditar no que ouvia, o petulante cliente exclamou: “Que ultraje! Tal preço por um trabalho que não durou um minuto!”


Em silêncio, o velho tomou delicadamente o relógio do nobre, introduziu a pinça e retirou a haste de seu recanto.


Devolveu a relíquia para o espantado homem: “Toma! Vai procurar quem te faça mais barato!”


Essa estória nos ilustra a segurança e a competência e a autovalorização geradas pelo conhecimento agregado ao longo dos anos com trabalho diligente. O valor cobrado recompensava anos de estudos, de experiência e de dedicação que permitiram ao mestre corrigir tão rapidamente o defeito.


Ao colocar o relógio na condição original, ele impôs o devido respeito que sua excelência reclamava. Ele sabia que poucos, ou mesmo ninguém, poderia resolver o problema sem danificar a raridade.


Como toda fábula, essa nos traduz verdades simples, colhidas de experiências vivenciadas. Quantos relógios você já consertou em sua carreira? Quais deles eram raridades? Pense sempre nessa fábula.


***

Estimular o aprofundamento do conhecimento em busca da excelência é um grande desafio, sobretudo ao se liderar profissionais novos ou em início da carreira.


A atividade da gestão é complexa. Mais complexa ainda é a atividade de avaliar o cenário interno e externo da organização, buscar articular competências para melhor coordenar ações.


Tem-se a expectativa de que todos os funcionários, em qualquer dos níveis de uma dada organização irão buscar a excelência em suas atividades com afinco e, em consequência, difundir os conhecimentos que agregam com o passar do tempo.


Como estimular a “expertise”? Aos funcionários que liderei ao longo de minha carreira eu lhes propunha “fábulas” ou, na época desconhecida, a “storytelling”.


Alguns, nem todos, dos resultados foram surpreendentes. Creio valer a pena usar essa simples estratégia.

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